quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO - PESSOA COM SURDEZ

Pessoa com Surdez
Mirlene Ferreira Macedo Damázio


Presidência da República
Ministério da Educação
Secretaria de Educação Especial
Secretaria de Educação a Distância


Formação Continuada a Distância
de Professores para o
Atendimento Educacional Especializado
Pessoa com Surdez
SEESP / SEED / MEC
Brasília/DF – 2007


Coordenação do Projeto de Aperfeiçoamento de
Professores dos Municípios-Polo do Programa
“Educação Inclusiva; direito à diversidade” em
Atendimento Educacional Especializado
Cristina Abranches Mota Batista
Edilene Aparecida Ropoli
Maria Teresa Eglér Mantoan
Rita Vieira de Figueiredo
Autora deste livro: Atendimento Educacional
Especializado para Pessoas com Surdez
Mirlene Ferreira Macedo Damázio
Projeto Gráfico
Cícero Monteferrante - monteferrante@hotmail.com
Revisão
Adriana A. L. Scrok
Ilustrações
Alunos e professores da
Fundação Conviver para Ser - Uberlândia - Minas Gerais
Marcus Vinícius Silva (13 anos)
Maria Clara Souza Freitas (14 anos)
Mariana Oliveira Gomes (12 anos)
Paulo Alberto Fontes Rocha (14 anos)
Wesley Alonso de Oliveira (21 anos)
Danilo Rischiteli Bragança Silva - Professor em Libras
Elaine Cristina B. de Paula Bragança - Instrutora de Libras
Fabíola da Costa Soares - Professora de Língua Portuguesa
Ilustrações da capa
Alunos da APAE de Contagem - Minas Gerais
Alef Aguiar Mendes (12 anos)
Felipe Dutra dos Santos (14 anos)
Marcela Cardoso Ferreira (13 anos)
Rafael Felipe de Almeida (13 anos)
Rafael Francisco de Carvalho (12 anos)
Ficha Técnica
Secretaria de Educação a Distância
Departamento de Políticas de Educação a Distância

Coordenação Geral de Avaliação e Normas em Educação a
Distância
Coordenação Geral de Articulação Institucional em
Educação a Distância
Secretaria de Educação Especial
Departamento de Políticas de Educação Especial
Coordenação Geral de Articulação da Política de Inclusão
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA
BIBLIOTECA CENTRAL DA UNICAMP
 Si38d Silva, Alessandra da.
 Deficiência auditiva / Alessandra da Silva, Cristiane Vieira
de Paiva Lima, Mirlene Ferreira Macedo Damázio.-
São Paulo : MEC/SEESP, 2007.
 52p. - (Atendimento educacional especializado)
 “Formação continuada a distância de professores para o
atendimento educacional especializado”
 ISBN: 978-85-60331-17-8 (obra completa)
 ISBN: 978-85-60331-22-2 (volume)
 1. Deficientes auditivos - Educação. 2. Inclusão em educação.
 3. Educação inclusiva. I. Lima, Cristiane Vieira de Paiva.
 II. Damázio, Mirlene Ferreira Macedo. III. Título.


Índices para Catálogo Sistemático
1. Deficientes auditivos - Educação...371.912 | 2. Inclusão em educação...371.9 | 3. Educação Inclusiva...371.9


PREFÁCIO
O Ministério da Educação desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe a
transformação do Ensino Regular e da Educação Especial e, nesta perspectiva, são implementadas diretrizes
e ações que reorganizam os serviços de Atendimento Educacional Especializado oferecidos aos alunos com
deficiência visando a complementação da sua formação e não mais a substituição do ensino regular.
Com este objetivo a Secretaria de Educação Especial e a Secretaria de Educação a Distância
promovem o curso de Aperfeiçoamento de Professores para o Atendimento Educacional Especializado,
realizado em uma ação conjunta com a Universidade Federal do Ceará, que efetiva um amplo projeto de
formação continuada de professores por meio do programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.
Incidindo na organização dos sistemas de ensino o projeto orienta o Atendimento Educacional
Especializado nas salas de recursos multifuncionais em turno oposto ao freqüentado nas turmas comuns
e possibilita ao professor rever suas práticas à luz dos novos referenciais pedagógicos da inclusão.
O curso desenvolvido na modalidade a distância, com ênfase nas áreas da deficiência física,
sensorial e mental, está estruturado para:
- trazer o contexto escolar dos professores para o foco da discussão dos novos referenciais para
a inclusão dos alunos;
- introduzir conhecimentos que possam fundamentar os professores na reorientação das suas
práticas de Atendimento Educacional Especializado;
- desenvolver aprendizagem participativa e colaborativa necessária para que possam ocorrer
mudanças no Atendimento Educacional Especializado.
Nesse sentido, o curso oferece fundamentos básicos para os professores do Atendimento
Educacional Especializado que atuam nas escolas públicas e garante o apoio aos 144 municípios-pólo
para a implementação da educação inclusiva.
Secretaria de Educação Especial


APRESENTAÇÃO
A educação escolar do aluno com surdez é um desafio que estamos demonstrando, por meio
do trabalho de uma escola que abraçou a inclusão, sem restrições e incondicionalmente.
O que transparece na sua
apresentação são as
possibilidades de os
alunos com surdez aprenderem nas
turmas comuns de ensino regular,
tendo a retaguarda do Atendimento
Educacional Especializado – AEE.
Esse atendimento é explicitado
detalhadamente e nos faz
conhecer o que se propõe
para quebrar barreiras lingüísticas e
pedagógicas que interferem na inclusão
escolar dos alunos com surdez.
Coordenação do Projeto.


SUMÁRIO
CAPÍTULO I
EDUCAÇÃO ESCOLAR INCLUSIVA PARA PESSOAS COM SURDEZ ............................................................. 13
 Para saber mais.................................................................................................................................................................... 16
CAPÍTULO II
TENDÊNCIAS SUBJACENTES À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM SURDEZ................................................ 19
 Para saber mais.................................................................................................................................................................... 22
CAPÍTULO III
O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA OS ALUNOS
COM SURDEZ: UMA PROPOSTA INCLUSIVA...................................................................................................... 25
 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado em Libras na Escola Comum.............................. 26
 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras......................................... 32
 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa.................. 38
 Para saber mais.................................................................................................................................................................... 46
CAPÍTULO IV
O PAPEL DO INTÉRPRETE ESCOLAR.................................................................................................................... 49
 Para saber mais.................................................................................................................................................................... 52


13
Capítulo I - Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez
Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez1
E studar a educação escolar das pessoas com
surdez nos reporta não só a questões
referentes aos seus limites e possibilidades,
como também aos preconceitos existentes nas
atitudes da sociedade para com elas.1
As pessoas com surdez enfrentam inúmeros
entraves para participar da educação escolar,
decorrentes da perda da audição e da forma como se
estruturam as propostas educacionais das escolas.
Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados
pela falta de estímulos adequados ao seu potencial
cognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural
e ter perdas consideráveis no desenvolvi-mento da
aprendizagem.
Estudos realizados na última década do
século XX e início do século XXI, por diversos
autores e pesquisadores oferecem contribuições à
educação de alunos com surdez na escola comum
ressaltando a valorização das diferenças no convívio
1 Doravante deve-se entender o uso do termo pessoa com surdez
como uma forma de nos reportamos a pessoas com uma deficiência
auditiva, independente do grau da sua perda sensorial.
social e o reconhecimento do potencial de cada ser
humano. Poker (2001) afirma que as trocas
simbólicas provocam a capacidade representativa
desses alunos, favorecendo o desenvolvimento do
pensamento e do conhecimento, em ambientes
heterogêneos de aprendizagem. No entanto, existem
posições contrárias à inclusão de alunos com surdez
nas turmas comuns, em decorrência da compreensão


14
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
das formas de representação da surdez como
incapacidade ou das propostas pedagógicas
desenvolvidas tradicio-nalmente para atendê-las que
não consideram a diversidade lingüística. Conforme
Skliar (1999) alegam que o modelo excludente da
Educação Especial está sendo substituído por outro,
em nome da inclusão que não respeita a identidade
surda, sua cultura, sua comunidade.
Estas questões geram polêmica entre
muitos estudiosos, profissionais, familiares e entre
as próprias pessoas com surdez. Àqueles que
defendem a cultura, a identidade e a comunidade
surda apóiam-se no discurso das diferenças, alegando
que elas precisam ser compreendidas nas suas
especificidades, porém, pode-se cair na cilada da
diferença, como refere Pierucci (1999), que em nome
da diferença, pode-se também segregar.
Diante desse quadro situacional, o
importante é buscar nos confrontos promovidos na
relação entre as diferenças, novos caminhos para a
vida em coletividade, dentro e fora das escolas e,
sendo assim, como seria atuar com alunos com
surdez, em uma escola comum que reconhece e
valoriza as diferenças? Que processos curriculares e
pedagógicos precisam ser criados para atender a essa
diferença, considerando a escola aberta para todos
e, portanto, verdadeiramente inclusiva?
Não se trata de trocar a escola excludente
especial, por uma escola excludente comum. Ocorre
que alguns discursos e práticas educacionais ainda
não conseguiram, responder às questões acima
formuladas, mantendo os processos de normalização
das pessoas com surdez.
A inclusão do aluno com surdez deve
acontecer desde a educação infantil até a educação
superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os
recursos de que necessita para superar as barreiras
no processo educacional e usufruir seus direitos
escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com
os princípios constitucionais do nosso país.
 A inclusão de pessoas com surdez na
escola comum requer que se busquem meios para
beneficiar sua participação e aprendizagem tanto
na sala de aula como no Atendimento Educacional
Especializado. Conforme Dorziat (1998), o
aperfeiçoamento da escola comum em favor de
todos os alunos é primordial. Esta autora observa
que os professores precisam conhecer e usar a Língua
de Sinais, entretanto, deve-se considerar que a
simples adoção dessa língua não é suficiente para
escolarizar o aluno com surdez. Assim, a escola
comum precisa implementar ações que tenham
sentido para os alunos em geral e que esse sentido
possa ser compartilhado com os alunos com surdez.
Mais do que a utilização de uma língua, os alunos
com surdez precisam de ambientes educacionais
estimuladores, que desafiem o pensamento,
explorem suas capacidades, em todos os sentidos.
Se somente o uso de uma língua bastasse
para aprender, as pessoas ouvintes não teriam
problemas de aproveitamento escolar, já que entram
na escola com uma língua oral desenvolvida. A


aquisição da Língua de Sinais, de fato, não é garantia
de uma aprendizagem significativa, como mostrou
Poker (2001), quando trabalhou com seis alunos com
surdez profunda que se encontravam matriculados
na primeira etapa do Ensino Fundamental, com
idade entre oito anos e nove meses e 11 anos e nove
meses, investigando, por meio de intervenções
educacionais, as trocas simbólicas e o desenvolvimento
cognitivo desses alunos.
Segundo esta autora, o ambiente em que a
pessoa com surdez está inserida, principalmente o
da escola, na medida em que não lhe oferece
condições para que se estabeleçam trocas simbólicas
com o meio físico e social, não exercita ou provoca
a capacidade representativa dessas pessoas,
conseqüentemente, compromete o desenvolvimento
do pensamento. A pesquisadora constatou que nesse
caso, a natureza do problema cognitivo da pessoa
com surdez está relacionado à:
[...] deficiência da trocas simbólicas, ou seja, o
meio escolar não expõe esses alunos a solicitações
capazes de exigir deles coordenações mentais cada
vez mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo
da abstração reflexionante e conseqüentemente, os
avanços cognitivos (POKER, 2001: 300).
Considerando a necessidade do
desenvolvimento da capacidade representativa e
lingüística dos alunos com surdez, a escola comum
deve viabilizar sua escolarização em um turno e o
Atendimento Educacional Especializado em outro,
contemplando o ensino de Libras, o ensino em Libras
e o ensino da Língua Portuguesa.
Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngüe, a
escola está assumindo uma política lingüística em
que duas línguas passarão a co-existir no espaço
escolar. Além disso, também será definido qual
será a primeira língua e qual será a segunda língua,
bem como as funções em que cada língua irá
representar no ambiente escolar. Pedagogicamente,
a escola vai pensar em como estas línguas estarão
acessíveis às crianças, além de desenvolver as
demais atividades escolares. As línguas podem
estar permeando as atividades escolares ou serem
objetos de estudo em horários específicos
dependendo da proposta da escola. Isso vai
depender de “como”, “onde”, e “de que forma” as
crianças utilizam as línguas na escola. (MEC/
SEESP, 2006)
Inúmeras polêmicas têm se formado em
torno da educação escolar para pessoas com surdez. A
proposta de educação escolar inclusiva é um desafio,
que para ser efetivada faz-se necessário considerar que
os alunos com surdez têm direito de acesso ao
conhecimento, à acessibilidade, bem como ao
Atendimento Educacional Especializado. Conforme
Bueno (2001:41), é preciso ultrapassar a visão que
reduz os problemas de escolarização das pessoas com
surdez ao uso desta ou daquela língua, mas sim de
ampliá-la para os campos sócio políticos.


Para saber mais......
BRASIL, Ministério Público Federal. O acesso de alunos
com deficiência às escolas e classes comuns da rede
regular. Eugênia Augusta G. Fávero; Luisa de Marillac
P. Pantoja; Maria Teresa Eglér Mantoan. Brasília:
Procuradoria Federal dos direitos do cidadão, 2004.
BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiência
e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº
12, p. 3-12, julho-dezembro, 1999.
_______. Educação inclusiva e escolarização dos
surdos. Revista Integração. Brasília: MEC. nº 23, p. 37-
42, Ano 13, 2001
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola
Comum: Questões Polêmicas e Avanços
Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva:
Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília:
MEC, SEESP, 2005. p.108 - 121.
_________. Educação Escolar de Pessoa com Surdez:
uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade
Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de
Doutorado.
DORZIAT, Ana. Democracia na escola: bases para
igualdade de condições surdos-ouvintes. Revista Espaço.
Rio de Janeiro: INES. nº 9, p. 24 -29, janeirojunho,
1998.
PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da diferença. São
Paulo: Editora 34, 1999.
POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e
desenvolvimento cognitivo em crianças surdas: uma
proposta de intervenção educacional. UNESP, 2001.
363p. Tese de Doutorado.
SKLIAR, Carlos(org.). Atualidade da educação bilíngüe
para surdos. Porto Alegre: Mediação, 1999. 2 v.


CAPÍTULO II


19
Capítulo II - Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com Surdez
Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas
com Surdez
A s tendências de educação escolar para
pessoas com surdez centram-se ora na
inserção desses alunos na escola comum
e/ou em suas classes especiais, ora na escola
especial de surdos. Existem três tendências
educacionais: a oralista, a comunicação total e a
abordagem por meio do bilingüismo.
As escolas comuns ou especiais, pautadas
no oralismo, visam à capacitação da pessoa
com surdez para que possa utilizar a língua da
comunidade ouvinte na modalidade oral, como
única possibilidade lingüística, de modo que seja
possível o uso da voz e da leitura labial, tanto
na vida social, como na escola. O oralismo, não
conseguiu atingir resultados satisfatórios, porque,
de acordo com Sá (1999), ocasiona déficits
cognitivos, legitima a manutenção do fracasso
escolar, provoca dificuldades no relacionamento
familiar, não aceita o uso da Língua de Sinais,
discrimina a cultura surda e nega a diferença entre
surdos e ouvintes.
Já a comunicação total considera as
características da pessoa com surdez utilizando todo
e qualquer recurso possível para a comunicação, a fim
de potencializar as interações sociais, considerando
as áreas cognitivas, lingüísticas e afetivas dos alunos.
Os resultados obtidos com a comunicação total
são questionáveis quando observamos as pessoas
com surdez frente aos desafios da vida cotidiana. A
linguagem gestual visual, os textos orais, os textos
escritos e as interações sociais que caracterizam a
comunicação total parecem não possibilitar um
desenvolvimento satisfatório e esses alunos continuam
segregados, permanecendo agrupados pela deficiência,
marginalizados, excluídos do contexto maior da
sociedade. Esta proposta, segundo Sá (1999), não dá
o devido valor a Língua de Sinais, portanto, pode-se
dizer que é uma outra feição do oralismo.
Os dois enfoques, oralista e da
comunicação total, negam a língua natural
das pessoas com surdez e provocam perdas
consideráveis nos aspectos cognitivos, sócioafetivos,
lingüísticos, político culturais e na
aprendizagem desses alunos. A comunicação


20
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
total, em favor da modalidade oral, por exemplo,
usava o Português sinalizado e desfigurava a rica
estrutura da Língua de Sinais.
Por outro lado, a abordagem educacional
por meio do bilingüismo visa capacitar a pessoa
com surdez para a utilização de duas línguas no
cotidiano escolar e na vida social, quais sejam:
a Língua de Sinais e a língua da comunidade
ouvinte. As experiências escolares, de acordo com
essa abordagem, no Brasil, são muito recentes e
as propostas pedagógicas nessa linha ainda não
estão sistematizadas. Acrescenta-se a essa situação,
a existência de trabalhos equivocados, ou seja,
baseados em princípios da comunicação total, mas
que são divulgados como trabalhos baseados na
abordagem por meio do bilingüismo.
De fato, existem poucas publicações
científicas sobre o assunto, há falta de professores
bilíngües, os currículos são inadequados e os
ambientes bilíngües, quase inexistentes. Não se
podem descartar também outros fatores, tais como:
dificuldade para se formar professores com surdez
num curto período de tempo; a presença de um
segundo professor de Língua Portuguesa para
os alunos surdos e; a falta de conhecimento a
respeito do bilingüismo. As propostas educacionais
dessa natureza começam a estruturar-se a partir
do Decreto 5.626/05 que regulamentou a lei de
Libras. Esse Decreto prevê a organização de turmas
bilíngües, constituídas por alunos surdos e ouvintes
onde as duas línguas, Libras e Língua Portuguesa
são utilizadas no mesmo espaço educacional.
Também define que para os alunos com surdez a
primeira língua é a Libras e a segunda é a Língua
Portuguesa na modalidade escrita, além de orientar
para a formação inicial e continuada de professores
e formação de intérpretes para a tradução e
interpretação da Libras e da Língua Portuguesa.
Contrariando o modelo de integração
escolar, que concebe o aluno com surdez, a partir
dos padrões dos ouvintes, desconsiderando a
necessidade de serem feitas mudanças estruturais e
pedagógicas nas escolas para romper com as
barreiras que se interpõem entre esse aluno e o
ensino, as propostas de atendimento a alunos com
surdez, em escolas comuns devem respeitar as
especificidades e a forma de aprender de cada um,
não impondo condições à inclusão desses alunos
no processo de ensino e aprendizagem.
Também, a escola especial é segregadora,
pois os alunos isolam-se cada vez mais, ao serem
excluídos do convívio natural dos ouvintes.
Há entraves nas relações sociais, afetivas e de
comunicação, fortalecendo cada vez mais os
preconceitos.
Segundo alguns professores, é mais fácil
ensinar em classes especiais das escolas comuns, pois,
essas classes além do agrupamento ser constituído
apenas por alunos com surdez, a comunicação e
a metodologia de ensino da língua escrita e oral
são as mesmas para todos. Entretanto nessas classes
os alunos com surdez não têm sido igualmente
beneficiados na aprendizagem.


As posições contrárias à inclusão de alunos
com surdez tomam como referência modelos que se
dizem “inclusivos” mas, na verdade, não alteram
suas práticas pedagógicas no que se refere às
condições de acessibilidade, em especial às relativas
às comunicações.
É preciso fazer a leitura desse movimento
político cultural e educacional, procurando
esclarecer os equívocos existentes, visando apontar
soluções para os seus principais desafios.
Deflagram-se atualmente, debates sobre a
comunidade surda, sua cultura e sua identidade.
Essas questões são polêmicas e, quando analisadas
pelos antropólogos, sociólogos, filósofos e
professores, levam a interpretações conceituais,
provocando divergências relacionadas à indicação
de procedimentos escolares.
Grande parte dos pesquisadores e
estudiosos da cultura surda têm se apropriado da
concepção de diferença cultural, defendendo uma
cultura surda e uma cultura ouvinte o que fortalece
a dicotomia surdo/ouvinte (Bueno, 1999).
A desafio frente à aprendizagem da Língua
Portuguesa é uma questão escolar importante. A
Língua Portuguesa é difícil de ser assimilada pelo
aluno com surdez. Segundo Perlin (1998:56), os
surdos não conseguem dominar os signos dos
ouvintes, por exemplo, a epistemologia de uma
palavra, sua leitura e sua escrita. De fato, existem
dificuldades reais da pessoa com surdez para
adquirir a oralidade e a escrita, porém, dizer que não
são capazes de aprendê-la reduz totalmente a pessoa
ao seu déficit e não considera a precariedade das
práticas de ensino disponíveis para esse aprendizado.
Há, pois, urgência de ações educacionais escolares
que favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem
escolar das pessoas com surdez.
A Língua de Sinais é, certamente, o
principal meio de comunicação entre as pessoas
com surdez. Contudo, o uso da Língua de Sinais
nas escolas comuns e especiais, por si só, resolveria
o problema da educação escolar das pessoas com
surdez? Não seria necessário o domínio de outros
saberes que lhes garantam, de fato, viver, produzir,
tirar proveito dos bens existentes, no mundo em
que vivemos?
As práticas pedagógicas constituem o
maior problema na escolarização das pessoas com
surdez. Torna-se urgente, repensar essas práticas
para que os alunos com surdez, não acreditem que
suas dificuldades para o domínio da leitura e da
escrita são advindas dos limites que a surdez lhes
impõe, mas principalmente pelas metodologias
adotadas para ensiná-los.
Neste sentido, é necessário fazer uma
ação-reflexão-ação permanente a acerca deste tema,
visando à inclusão escolar das pessoas com surdez,
tendo em vista a sua capacidade de freqüentar e
aprender em escolas comuns, contra o discurso
da exclusão escolar e a favor de novas práticas
educacionais na escola comum brasileira.


Para saber mais...
BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiência
e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª
12, pp. 3-12, julho/dezembro, 1999.
FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento Escolar
dos Portadores de Surdez na Escola Regular em Classe
Comum do Ensino Fundamental. Espanha:
Universidade de Salamanca, 1997. 148 p. Dissertação
de Mestrado.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva.
Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005.
117 p. Tese de Doutorado.
PERLIN, Gladis T.T. “Identidades Surdas”. IN: SKLIAR,
Carlos (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças.
Porto Alegre: Mediação, 1998.
Pólen-Núcleo de Estudo, Pesquisa e Apoio em Pedagogia
e Diferença Humana: diferença humana em questão:
Cadernos Unit/Mirlene Ferreira Macedo Damázio
(Org.). V. 2. (2004), Uberlândia: UNITRI, 2004.
SÁ, Nídia Regina Limeira de. Educação de Surdos: a
caminho do bilingüismo. Niterói: Eduff, 1999.


CAPÍTULO III


25
Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para
os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva
O Atendimento Educacional Especializado para os
Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva
O trabalho pedagógico com os alunos
com surdez nas escolas comuns, deve ser
desenvolvido em um ambiente bilíngüe,
ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de
Sinais e a Língua Portuguesa. Um período adicional
de horas diárias de estudo é indicado para a execução
do Atendimento Educacional Especializado. Nele
destacam-se três momentos didático-pedagógicos:
• Momento do Atendimento Educacional
Especializado em Libras na escola
comum, em que todos os conhecimentos
dos diferentes conteúdos curriculares, são
explicados nessa língua por um professor,
sendo o mesmo preferencialmente surdo.
Esse trabalho é realizado todos os dias, e
destina-se aos alunos com surdez.
• Momento do Atendimento Educacional
Especializado para o ensino de Libras na
escola comum, no qual os alunos com
surdez terão aulas de Libras, favorecendo
o conhecimento e a aquisição,
principalmente de termos científicos. Este
trabalhado é realizado pelo professor e/
ou instrutor de Libras (preferencialmente
surdo), de acordo com o estágio de
desenvolvimento da Língua de Sinais em
que o aluno se encontra. O atendimento
deve ser planejado a partir do diagnóstico
do conhecimento que o aluno tem a
respeito da Língua de Sinais.
• Momento do Atendimento Educacional
Especializado para o ensino da Língua
Portuguesa, no qual são trabalhadas as
especificidades dessa língua para pessoas
com surdez. Este trabalho é realizado
todos os dias para os alunos com surdez,
à parte das aulas da turma comum, por
uma professora de Língua Portuguesa,
graduada nesta área, preferencialmente. O
atendimento deve ser planejado a partir do
diagnóstico do conhecimento que o aluno
tem a respeito da Língua Portuguesa.


26
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
O planejamento do Atendimento Educacional
Especializado é elaborado e desenvolvido conjuntamente
pelos professores que ministram aulas em Libras, professor
de classe comum e professor de Língua Portuguesa para
pessoas com surdez. O planejamento coletivo inicia-se com
a definição do conteúdo curricular, o que implica que os
professores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Em
seguida, os professores elaboram o plano de ensino. Eles
preparam também os cadernos de estudos do aluno, nos
quais os conteúdos são inter-relacionados.
No planejamento para as aulas em Libras, há
que se fazer o estudo dos termos científicos do conteúdo a
ser estudado, nessa língua. Cada termo é estudado, o que
amplia e aprofunda o vocabulário.
Na seqüência, todos os professores
selecionam e elaboram os recursos didáticos para o
Atendimento Educacional Especializado em Libras
e em Língua Portuguesa, respeitando as diferenças
entre os alunos com surdez e os momentos didáticopedagógicos
em que serão utilizados.
Os alunos com surdez são observados por todos
os profissionais que direta ou indiretamente trabalham
com eles. Focaliza-se a observação nos seguintes aspectos:
sociabilidade, cognição, linguagem (oral, escrita, visoespacial),
afetividade, motricidade, aptidões, interesses,
habilidades e talentos. Registram-se as observações
iniciais em relatórios, contendo todos os dados colhidos
ao longo do processo e demais avaliações relativas ao
desenvolvimento do desempenho de cada um.
São apresentados a seguir três momentos
didático-pedagógicos do Atendimento Educacional
Especializado.
Momento Didático-Pedagógico:
O Atendimento Educacional
Especializado em Libras na Escola
Comum
Este atendimento constitui um dos
momentos didático-pedagógicos para os alunos com
surdez incluídos na escola comum. O atendimento
ocorre diariamente, em horário contrário ao das aulas,
na sala de aula comum.
A organização didática desse espaço de
ensino implica o uso de muitas imagens visuais e de
todo tipo de referências que possam colaborar para o
aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo,
na sala de aula comum.
Os materiais e os recursos para esse fim
precisam estar presentes na sala de Atendimento
Educacional Especializado, quais sejam: mural de
avisos e notícias, biblioteca da sala, painéis de gravuras
e fotos sobre temas de aula, roteiro de planejamento,
fichas de atividades e outros.
Na escola comum, é ideal que haja professores
que realizem esse atendimento, sendo que os mesmos
precisam ser formados para ser professor e ter pleno
domínio da Língua de Sinais. O Professor em Língua
de Sinais, ministra aula utilizando a Língua de Sinais
nas diferentes modalidades, etapas e níveis de ensino
como meio de comunicação e interlocução.


O planejamento do Atendimento
Educacional Especializado em Libras é feito
pelo professor especializado, juntamente com os
professores de turma comum e os professores de
Língua Portuguesa, pois o conteúdo deste trabalho é
semelhante ao desenvolvido na sala de aula comum.

Professor, explorando conteúdo curricular sobre
civilizações antigas com recursos específicos em
Libras para alunos com surdez
Professor explorando com o aluno com surdez
o conteúdo curricular sobre o município de
Uberlândia com recursos específicos em Libras

Professor explorando o conteúdo curricular
sobre o universo e o movimento do sistema
solar com recursos diversos para os alunos
com surdez


Professor ministrando aula em Língua
de Sinais dos conteúdos curriculares
oficiais
Professor explicando termos
científicos do contexto em estudo e
dos conteúdos curriculares oficiais
em Língua de Sinais


O Atendimento Educacional Especializado
em Libras fornece a base conceitual dessa língua e
do conteúdo curricular estudado na sala de aula
comum, o que favorece ao aluno com surdez a
compreensão desse conteúdo. Nesse atendimento
há explicações das idéias essenciais dos conteúdos
estudados em sala de aula comum. Os professores
utilizam imagens visuais e quando o conceito é muito
abstrato recorrem a outros recursos, como o teatro,
por exemplo. Os recursos didáticos utilizados na sala
de aula comum para a compreensão dos conteúdos
curriculares são também utilizados no Atendimento
Educacional Especializado em Libras.
Ilustramos, por meio de fotos, alguns
recursos didático-pedagógicos utilizados:

Maquetes sobre o conteúdo em estudo

Alunos com surdez no Atendimento Educacional
Especializado em Libras

Alunos explorando
maquetes dos
conteúdos
curriculares sobre
historicidade
Professor explorando conteúdos curriculares em Libras
com os devidos recursos didáticos


Maquete sobre a antiguidade oriental clássica
Recursos pedagógicos para estudo dos sólidos
geométricos

Maquete sobre trânsito
Recursos pedagógicos para o estudo do sistema de
numeração decimal e operações matemáticas


Caderno de estudo do aluno com surdez

Caixas de fotos e gravuras
usadas na sala de Atendimento
Educacional Especializado
No decorrer do Atendimento Educacional
Especializado em Libras, os alunos se interessam,
fazem perguntas, analisam, criticam, fazem
analogias, associações diversas entre o que sabem e
os novos conhecimentos em estudo.
Os professores neste atendimento
registram o desenvolvimento que cada aluno
apresenta, além da relação de todos os conceitos
estudados, organizando a representação deles
em forma de desenhos e gravuras, que ficam no
caderno de registro do aluno.


Momento Didático-Pedagógico:
O Atendimento Educacional
Especializado para o ensino de Libras
Este atendimento constitui outro
momento didático-pedagógico para os alunos
com surdez incluídos na escola comum. O
atendimento inicia com o diagnóstico do aluno
e ocorre diariamente, em horário contrário ao das
aulas, na sala de aula comum. Este trabalhado é
realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras
(preferencialmente surdo), de acordo com o estágio
de desenvolvimento da Língua de Sinais em que
o aluno se encontra. O atendimento deve ser
planejado a partir do diagnóstico do conhecimento
que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais.
O professor e/ou instrutor de Libras
organiza o trabalho do Atendimento Educacional
Especializado, respeitando as especificidades
dessa língua, principalmente o estudo dos termos
científicos a serem introduzidos pelo conteúdo
curricular. Eles procuram os sinais em Libras,
investigando em livros e dicionários especializados,
internet ou mesmo entrevistando pessoas adultas
com surdez, considerando o seguinte:
• Caso não existam sinais para designar
determinados termos científicos, os
professores de Libras analisam os
termos científicos do contexto em
estudo, procurando entendê-los, a partir
das explicações dos demais professores
de áreas específicas (Biologia, História,
Geografia e dentre outros);
• Avaliam a criação dos termos
científicos em Libras, a partir da
estrutura lingüística da mesma, por
analogia entre conceitos já existentes,
de acordo com o domínio semântico
e/ou por empréstimos lexicais;
• Os termos científicos em sinais são
registrados, para serem utilizados nas
aulas em Libras.


Criação de sinais para termos
científicos.
Professores estudando os termos científicos
Professores analisando conceitos dos termos
científicos em Língua de Sinais


Professores criando o sinal
do termo científico

Professores expressando e
desenhando os sinais


Sinal criado para
expressar a idéia
do termo papiro

A organização didática desse espaço
de ensino implica o uso de muitas imagens
visuais e de todo tipo de referências que possam
colaborar para o aprendizado da Língua de
Sinais. Os materiais e os recursos para esse fim
precisam estar presentes na sala de Atendimento
Educacional Especializado e respeitar as
necessidades didático-pedagógicas para o ensino
de língua.
Sinal criado para expressar a idéia do
termo civilização


Caderno de registro de
Língua de Sinais.
Os alunos recorrem sempre a esse
caderno, como se fosse um dicionário particular.
O caderno expressa sua compreensão sobre os
termos representados em Libras.
A seqüência de fotos a seguir ilustra os
procedimentos descritos:

Professor explicando um conteúdo curricular
de Libras, por meio de imagens
Colagem de gravura realizada por aluno com surdez demonstrando
a sua compreensão do termo representado em Libras

Desenho realizado por aluno com surdez, demonstrando a
compreensão do termo representado pelo sinal em Libras
Aluno com surdez explicando para o professor e para os
colegas os termos científicos em Língua de Sinais


Aluno utilizando o caderno de registro para explicar
termos em Libras
Os professores do Atendimento Educacional
Especializado de Libras fazem permanentemente
avaliações para verificação da aprendizagem dos
alunos em relação à evolução conceitual de Libras.
Em resumo, questões importantes sobre o
Atendimento Educacional Especializado em Libras e
para o ensino de Libras:
• O Atendimento Educacional Especializado
com o uso de Libras, ensina e enriquece
os conteúdos curriculares promovendo a
aprendizagem dos alunos com surdez na
turma comum.
• O ambiente educacional bilíngüe é
importante e indispensável, já que
respeita a estrutura da Libras e da Língua
Portuguesa.
• Este atendimento exige uma organização
metodológica e didática e especializada.
• O professor que ministra aulas em
Libras deve ser qualificado para realizar
o atendimento das exigências básicas do
ensino por meio da Libras e também,
para não praticar o bimodalismo, ou seja,
misturar a Libras e a Língua Portuguesa que
são duas línguas de estruturas diferentes.
• O professor com surdez, para o ensino
de Libras oferece aos alunos com surdez
melhores possibilidades do que o professor
ouvinte porque o contato com crianças e
jovens com surdez com adultos com surdez
favorece a aquisição dessa língua.


• A avaliação processual do aprendizado por
meio da Libras é importante para que se
verifique, pontualmente, a contribuição do
Atendimento Educacional Especializado
para o aluno com surdez na escola comum.
• A qualidade dos recursos visuais é primordial
para facilitar a compreensão do conteúdo
curricular em Libras.
• A organização do ambiente de aprendizagem
e as explicações do professor em Libras
propiciam uma compreensão das idéias
complexas, contidas nos conhecimentos
curriculares.
• O Atendimento Educacional Especializado
em Libras oferece ao aluno com surdez
segurança e motivação para aprender, sendo,
portanto, de extrema importância para a
inclusão do aluno na classe comum.
Momento Didático-Pedagógico:
O Atendimento Educacional
Especializado para o Ensino de
Língua Portuguesa
O Atendimento Educacional Especializado
para o ensino da Língua Portuguesa acontece na sala
de recursos multifuncionais e em horário diferente
ao da sala comum. O ensino é desenvolvido por um
professor, preferencialmente, formado em Língua
Portuguesa e que conheça os pressupostos lingüísticos
teóricos que norteiam o trabalho, e que, sobretudo
acredite nesta proposta estando disposto a realizar
as mudanças para o ensino do português aos alunos
com surdez.
O que se pretende no Atendimento
Educacional Especializado é desenvolver a
competência gramatical ou lingüística, bem como
textual, nas pessoas com surdez, para que sejam
capazes de gerar seqüências lingüísticas bem
formadas.
Nesta perspectiva, a sala de recursos para o
Atendimento Educacional Especializado em Língua
Portuguesa deverá ser organizada didaticamente,
respeitando os seguintes princípios:
• Riqueza de materiais e recursos
visuais (imagéticos) para possibilitar a
abstração dos significados de elementos
mórficos da Língua Portuguesa.
• Amplo acervo textual em Língua
Portuguesa, capaz de oferecer ao aluno
a pluralidade dos discursos, para que
os mesmos possam ter oportunidade
de interação com os mais variados
tipos de situação de enunciação.


• Dinamismo e criatividade na
elaboração de exercícios, os quais
devem ser trabalhados em contextos
de usos diferentes.
A seguir apresentam-se imagens do
Atendimento Educacional Especializado para o
ensino da Língua Portuguesa:

Professora de Língua Portuguesa, explorando termos
específicos do conteúdo em Língua Portuguesa

Professora de Língua Portuguesa explorando gravuras com
legendas em Língua Portuguesa escrita
Professora de Língua Portuguesa revisando os
conceitos curriculares em Língua Portuguesa escrita


O Atendimento Educacional Especializado para
ensino da Língua Portuguesa é preparado em conjunto
com os professores de Libras e o da sala comum. A equipe
analisa o desenvolvimento dos alunos com surdez, em
relação ao aprendizado e domínio da Língua Portuguesa.
Neste atendimento, a professora de Língua
Portuguesa focaliza o estudo dessa língua nos níveis
morfológico, sintático e semântico-pragmático, ou seja,
como são atribuídos os significados às palavras e como
se dá à organização delas nas frases e textos de diferentes
contextos, levando os alunos a perceber a estrutura da
língua através de atividades diversificadas, procurando
construir um conhecimento já adquirido naturalmente
pelos alunos ouvintes.
Dessa forma, no Atendimento Educacional
Especializado, o professor trabalha os sentidos das palavras
de forma contextualizada, respeitando e explorando a
estrutura gramatical da Língua Portuguesa. Esse processo
inicia-se na educação infantil, intensificando-se na
alfabetização e prossegue até o ensino superior.

Professora de Língua
Portuguesa ensinando a Língua
Portuguesa escrita para os
alunos com surdez
Aluno com surdez elaborando
frases sobre o conteúdo estudado


O professor de Língua Portuguesa em
parceria com os professores da sala comum e
da Libras, realiza estudos dos termos específicos
do conteúdo curricular, utilizando toda fonte
de pesquisa bibliográfica possível, em especial,
dicionário ilustrado e livros técnicos. Organiza
os termos específicos em um glossário ilustrado,
conforme pode ser visto nas ilustrações abaixo:
Exemplo de glossário com termos específicos
ilustrados1.

41
Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado paraos Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva
1 Imagens e conceitos retirados de dicionários e livros variados.

Após o trabalho com o glossário para a
ampliação e aquisição do vocabulário do Português,
são feitos estudos pontuais dos diferentes significados
e formas de uso que as palavras podem assumir em
diferentes contextos (estudo de palavras sinônimas
e homônimas) e sua aplicação a partir da própria
palavra, de frases prontas em que essas são empregadas
palavras, textos ou imagens que se reportem às
situações em questão.
Para esclarecerem dúvidas e polêmicas sobre
o estudo dos contextos e dos conteúdos curriculares,
o professor de Língua Portuguesa e os professores
de turma comum organizam um caderno de estudo,
no qual exemplificam conceito por conceito,
procurando oferecer esclarecimentos pontuais para
o aprendizado dos alunos.
42
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez


O Atendimento Educacional Especializado
deve ser organizado para atender também alunos que
optaram pela aprendizagem da Língua Portuguesa na
modalidade oral. Nesse caso, o professor de português
oferece aos alunos as pistas fonéticas para a fala e a
leitura labial.
Elaboração e interpretação de textos em
Língua Portuguesa:

Leitura e interpretação de textos
Representação da interpretação do texto por meio de desenho
O aluno com surdez precisa aprender a
incorporar no seu texto as regras gramaticais da escrita
na Língua Portuguesa.
A Língua Portuguesa estrutura-se a partir da
combinação de vocábulos que conectados corretamente
dão sentido: palavras combinadas formam frases;
frases conectadas formam orações; orações transpostas
por meio de conectivos formam períodos e assim
por diante, até chegar ao texto. Assim, se inicia o
trabalho com os alunos, paralelamente à ampliação
do vocabulário, a elaboração de tópicos frasais.
Veja exemplo:


44
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez


Com o objetivo de alcançar estruturas
gramaticalmente corretas, insere-se no trabalho
regras gramaticais propriamente ditas, que os alunos
ouvintes, facilmente compreendem, por terem como
canal comunicativo à língua oral. No caso dos alunos
com surdez, faz-se necessário criar o canal que os
leva a essas compreensões. Esta situação é observada
na análise morfológica – flexão de gênero, número e
grau de substantivos e adjetivos, bem como nas
flexões verbais de modo, tempo e pessoa, ao
estabelecerem nas frases e textos, a concordância
verbal e nominal.
Por isto a necessidade de iniciar este
trabalho nos primeiros anos de escolarização, pois
uma vez que iniciados tardiamente neste processo,
mais obstáculos encontrarão na conquista da
habilidade comunicativa escrita.
No Atendimento Educacional Especializado
para o ensino da Língua Portuguesa, o canal de
comunicação específico é a Língua Portuguesa, ou
seja, leitura e escrita de palavras, frases e textos, o uso
de imagens e até mesmo o teatro, para a representação
de conceitos muito abstratos. Vários recursos visuais
são usados para aquisição da Língua Portuguesa.
Desta forma, os alunos precisam ficar
atentos a todos as pistas oferecidas para
compreenderem a mensagem. O atendimento nessa
língua contribui enormemente para o avanço
conceitual do aluno na classe comum.
Em resumo, podemos afirmar que:
• O Atendimento Educacional Especializado
para aprendizagem da Língua Portuguesa
exige que o profissional conheça muito bem
a organização e a estrutura dessa Língua,
bem como, metodologias de ensino de
segunda língua.
• O uso de recursos visuais é fundamental
para a compreensão da Língua Portuguesa,
seguidos de uma exploração contextual
do conteúdo em estudo;
• O atendimento diário em Língua
Portuguesa, garante a aprendizagem dessa
língua pelos alunos.
• Para a aquisição da Língua Portuguesa, é
preciso que o professor estimule,
permanentemente, o aluno, provocandoo
a enfrentar desafios.
• O atendimento em Língua Portuguesa é
de extrema importância para o
desenvolvimento e a aprendizagem do
aluno com surdez na sala comum.
• A avaliação do desenvolvimento da
Língua Portuguesa deve ocorrer
continuamente para assegurar que se
conheçam os avanços do aluno com
surdez e para que se possa redefinir o
planejamento, se for necessário.


Para saber mais...
ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de. A aprendizagem de
segunda língua: alguns pontos de vista. Revista Espaço. Rio de
Janeiro: INES. nª 9, p. 30-37, janeiro-junho, 1998.
AVÉROUS, Pierre; COLLIN, Marie-Marthe. De olho no céu e
na terra. São Paulo: Scipione, 1991.
CANTARATO, Ana Lúcia V. Aquisição da Língua Portuguesa
por crianças surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 6,
p. 60-62, março, 1997.
CONTARATO, Ana Lúcia V.; BAPTISTA, Elaine da R.
Diversidade textual no ensino de Língua Portuguesa escrita
como segunda língua para surdos. Revista Espaço. Rio de
Janeiro: INES. nª 9, p. 67-70, janeiro-junho, 1998.
COSTA, Jucelino. Pistas sinestésicas: uma estratégia facilitadora
para a alfabetização de pessoas surdas. Revista Espaço. Rio de
Janeiro: INES. nª 18/19, p. 106-111, dezembro/2002-
julho/2003.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de
Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas:
Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de
Doutorado.
DORZIAT, Ana; FIGUEIREDO, Maria Júlia F. Problematizando
o ensino de Língua Portuguesa na educação de surdos. Revista
Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 18/19, p. 32-41, dezembro/2002-
julho/2003.
FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento escolar dos
portadores de surdez na escola regular em classe comum do
ensino fundamental. Espanha: Universidade de Salamanca,
1997. 148 p. Dissertação de Mestrado.
FERNANDES, Eulália. Linguagem e surdez. Porto Alegre:
Artmed, 2003.
FREIRE, Alice. Aquisição de português como segunda língua:
uma proposta de currículo. Revista Espaço. Rio de Janeiro:
INES. nª 9, p. 46-52, janeiro-junho, 1998.
GERALDI, João Wanderley. O uso como lugar de construção
dos recursos lingüísticos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES.
nª 8, p. 49-54, agosto-dezembro, 1997.
GLÓRIA, Maria R.; VERGES, Oriol. Viajando através da
história: da Pré-história ao Egito. São Paulo: Scipione, 1991.
LIMA, Maria Cecília M. P.; et. al. Fonoaudiologia e surdez:
possibilidade de atuação na linguagem escrita. Revista Espaço.
Rio de Janeiro: INES. nª 16, p. 73-77, dezembro, 2001.
Meu 1ª LAROUSSE dicionário. São Paulo: Larousse do Brasil,
2004.
PIMENTA, Maria Ednéa; RAMOS, Maria Inês B.; SOARES,
Regina Célia. Fonoaudiologia numa proposta bilíngüe. Revista
Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 10, p. 74-75, dezembro, 1998.
POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento
cognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervenção
educacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Doutorado.
REBELO, Ana Paula S. R.; COZER, Maria Beatriz R.;
PINHEIRO, Neusa Maria S.; COSTA, Jucelino. Pistas
sinestésicas: uma estratégia facilitadora para a alfabetização de
pessoas surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 18/19,
p. 106-111, dezembro/2002-julho/2003.
SVARTHOLM, Kristina. Aquisição de segunda língua por
surdos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 9, p. 38-45,
janeiro-junho, 1998.


CAPÍTULO IV


49
Capítulo IV - O Papel do Intérprete Escolar
O Papel do Intérprete Escolar2
R espaldados pelos novos paradigmas
inclusivos, as pessoas com surdez têm
conquistado atualmente direitos
fundamentais que promovem a sua inclusão social. 1
O reconhecimento da Língua Brasileira de
Sinais – Libras, em abril de 2002, e sua recente
regulamentação, conforme o decreto nª 5.626, de 22
de dezembro de 2005, legitimam a atuação e a
formação profissional de tradutores e intérpretes de
Libras e Língua Portuguesa. Garante ainda a
obrigatoriedade do ensino de Libras na educação
básica e no ensino superior - cursos de licenciatura e
de Fonoaudiologia e regulamenta a formação de
professores da Libras, o que abre um amplo espaço,
nunca antes alcançado, para a discussão sobre a
educação das pessoas com surdez, suas formas de
ocorrência e socialização.
Nesse contexto, a formação profissional dos
tradutores e intérpretes de Libras e de Língua Portuguesa
torna-se cada vez mais valorizada, pois a presença destes
profissionais é fundamental para a inserção das pessoas
com surdez, que são usuárias da Língua de Sinais.
2 Texto escrito pelas intérpretes Alessandra da Silva e Cristiane
Vieira de Paiva Lima segundo as idéias da proposta desenvolvida
pela Profº Mirlene Ferreira Macedo Damázio para o Atendimento
Educacional Especializado na perspectiva inclusiva.
O que é um tradutor e intérprete
de Libras e Língua Portuguesa?
É a pessoa que, sendo fluente em Língua
Brasileira de Sinais e em Língua Portuguesa, tem a
capacidade de verter em tempo real (interpretação
simultânea) ou, com um pequeno espaço de tempo
(interpretação consecutiva), da Libras para o Português
ou deste para a Libras. A tradução envolve a modalidade
escrita de pelo menos uma das línguas envolvidas no
processo.
Postura ética
A função de traduzir/interpretar é singular,
dado que a atuação desse profissional leva-o a interagir
com outros sujeitos, a manter relações interpessoais e
profissionais, que envolvem pessoas com surdez e
ouvintes, sem que esteja efetivamente implicado nelas,
pois sua função é unicamente a de mediador da
comunicação.


50
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
O tradutor e intérprete, ao mediar a
comunicação entre usuários e não usuários da Libras,
deve observar preceitos éticos no desempenho de suas
funções, entendendo que não poderá interferir na
relação estabelecida entre a pessoa com surdez e a
outra parte, a menos que seja solicitado.
Entende-se que, sendo o tradutor e intérprete
uma pessoa com capacidade, opiniões e construção
identitária próprias, não é coerente exigir que ele
adote uma postura absolutamente neutra, como se
sua atividade fosse apenas uma atividade mecânica.
Mas o fato de ter uma opinião própria sobre um
assunto não dá a esse profissional o direito de
interferir em uma situação concreta em que está
atuando, quando não for chamado a intervir.
Segundo o código de ética da atuação do
profissional tradutor e intérprete - que é parte
integrante do Regimento Interno do Departamento
Nacional de Intérpretes da FENEIS/Federação
Nacional de Educação e Integração dos Surdos - cabe
a esse profissional agir com sigilo, discrição, distância
e fidelidade à mensagem interpretada, à intenção e ao
espírito do locutor da mensagem. (MEC/SEESP,
2001). Esta postura profissional exige disciplina e
uma clara consciência de seu papel. Assim sendo, o
intérprete deve ter uma estabilidade emocional muito
grande e todo aquele que almeja assumir essa função
precisa ter consciência dessas condições e buscar
formas de desenvolvê-la.
Entende-se como postura ética uma atitude
solidária, pela qual esses profissionais lutam pelo
respeito às pessoas com surdez, assim como por
qualquer outra pessoa. Existem várias áreas de atuação
do tradutor e intérprete de Libras e Língua Portuguesa
que merecem ser objeto de reflexão de todos os que
atuam com pessoas com surdez usuárias da Libras.
A atuação do tradutor/intérprete escolar, na
ótica da inclusão, envolve ações que vão além da
interpretação de conteúdos em sala de aula. Ele medeia
a comunicação entre professores e alunos, alunos e
alunos, pais, funcionários e demais pessoas da
comunidade em todo o âmbito da escola e também
em seminários, palestras, fóruns, debates, reuniões e
demais eventos de caráter educacional.
Com relação à sala de aula, devemos sempre
considerar que este espaço pertence ao professor e ao
aluno e que a liderança no processo de aprendizagem
é exercida pelo professor, sendo o aluno de sua
responsabilidade.
É absolutamente necessário entender que o
tradutor e intérprete é apenas um mediador da
comunicação e não um facilitador da aprendizagem
e que esses papéis são absolutamente diferentes e
precisam ser devidamente distinguidos e respeitados
nas escolas de nível básico e superior.
Não cabe ao tradutor/intérprete a tutoria
dos alunos com surdez e também é de fundamental
importância que o professor e os alunos desenvolvam
entre si interações sociais e habilidades comunicativas,
de forma direta evitando-se sempre que o aluno com
surdez, dependa totalmente do intérprete.


Partindo do princípio de que,
comprovadamente, a Língua de Sinais é fundamental
para que o aluno com surdez adquira linguagem e
avance no seu desenvolvimento cognitivo, não
podemos deixar de considerar também, que apenas o
uso dessa língua não é suficiente para resolver
questões relativas à sua aprendizagem. A Língua de
Sinais, por si só, não promove a aprendizagem da
leitura e da escrita da Língua Portuguesa e,
conseqüentemente, dos conceitos estudados.
Outro aspecto importante refere-se à
conduta profissional adotada pelo tradutor/
intérprete durante a sua atuação profissional, nos
quesitos responsabilidade, assiduidade, pontualidade,
posicionamento no espaço de interpretação,
aparência pessoal, domínio de suas funções, interação
com os alunos, postura durante as avaliações.
O tradutor/intérprete deve sempre respeitar
o contexto escolar, seja em relação às aulas em si, seja
em relação aos alunos com surdez e ouvintes.
O profissional tradutor/intérprete
consciente de todas as suas funções, papéis e
compromissos profissionais tem como
responsabilidade agir como difusor dos
conhecimentos que tem sobre Libras e comunicação
entre pessoas com surdez e ouvintes. Ele deverá saber
o valor e limites de sua interferência no ambiente
escolar, para dar esclarecimentos e orientação aos
que necessitam de seus conhecimentos específicos.
Em resumo, o tradutor/intérprete deve
conhecer com profundidade, cientificidade e
criticidade sua profissão, a área em que atua, as
implicações da surdez, as pessoas com surdez, a Libras,
os diversos ambientes de sua atuação a fim de que, de
posse desses conhecimentos, seja capaz de atuar de
maneira adequada em cada uma das situações que
envolvem a tradução, a interpretação e a ética
profissional.
Atuação do tradutor/intérprete e
professor de Libras
Há uma clara diferença entre ensinar Língua de
Sinais a ouvintes ou a pessoas com surdez. No caso do
ensino de Libras para alunos ouvintes, o tradutor/
intérprete poderá mediar a comunicação entre os alunos
ouvintes e o professor com surdez no ensino teórico da
Libras. O ensino prático caberá ao professor de Libras.
Atuação do tradutor/intérprete com
o professor fluente em Libras
O professor que é fluente em Libras é a
pessoa mais habilitada para transmitir seus
conhecimentos aos alunos usuários da Língua de
Sinais. Uma vez que o professor tenha fluência nessa
língua e que o domínio do conhecimento a ser
trabalhado é exclusivo desse professor, não existe a
barreira da comunicação e, assim sendo, o intérprete
será desnecessário.


Atuação do tradutor/intérprete em
sala de aula comum com o
professor sem fluência em Libras
O tradutor/intérprete poderá atuar na sala
comum, mas sempre evitando interferir na construção
da Língua Portuguesa, como segunda língua dos
alunos com surdez. A sala de aula comum é um dos
locais de aprendizado da Língua Portuguesa para os
alunos com surdez.
Atuação do tradutor/intérprete
em palestras, debates, discussões,
reuniões de colegiado e eventos
da escola
A atuação do tradutor/intérprete escolar
envolve também a mediação da comunicação nas
diversas atividades que acontecem na escola ou
relacionadas a ela, visando atender às necessidades
tanto de professores e alunos quanto da comunidade
escolar e promovendo a inclusão social.
O tradutor/intérprete é mais um profissional
que, ciente de sua responsabilidade social, poderá
mobilizar gestores e professores para a importância
de se promover a igualdade de acesso ao conhecimento
acadêmico para todos os alunos, indistintamente.
Para saber mais...
PAGANO, Adriana; ALVEZ, Fábio; MAGALHÃES, Célia.
Traduzir com Autonomia: estratégias para o tradutor em
formação. São Paulo: Editora Contexto, 2000.
QUADROS, Ronice Müller de. O Tradutor e Intérprete
de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Brasília:
MEC/SEESP, 2001.
ROBINSON, Douglas. Construindo o Tradutor. Bauru,
São Paulo: EDUSC, 2002.

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